O Globish é um inglês mais puro e concentrado. Ele é, também o tema de um livro fantástico que acabo de ler: “Don’t speak English, Parlez globish®” (versão em francês), escrito por Jean-Paul Nerrière. A seguir, resumo a ideia central do livro, de que com apenas 1.500 palavras em inglês (cuidadosamente escolhidas…) e uma gramática simplificada, você já consegue se comunicar. Genial, não? Então, siga lendo…

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Atualizado em 12.12.19
O autor, graduado pela École Centrale de Paris e comissário da Marinha, construiu uma brilhante carreira: foi vice-presidente da IBM europeia e, mais tarde, da IBM norte-americana.  Por conta disso, ele pôde desenvolver suas habilidades de comunicação internacional.
O termo Globish ® é uma marca registrada, mas espero poder falar sobre essa marca mesmo assim, porque gostei desse livro de fato! (O autor prega a difusão do globish no mundo, então  não entendo a razão pela qual ele resolveu registrar o termo globish, pois isso é uma barreira para a difusão).
O livro tem 287 páginas escritas em bom francês, com um vocabulário cuidadosamente escolhido e de fácil leitura. Ele também conta com anedotas pessoais e históricas muito interessantes. É por isso que gostaria de falar um pouco sobre a obra, pois nosso método é inspirado em certos princípios apresentados no livro desse autor.
Globish para o Mundo (tradução do livro em português) ou a versão original, em francês,  “Don’t speak english, Parlez Globish”, de Jean-Paul Nerrière (Editora EYROLLES)

Então aqui está um pequeno resumo (em 3 partes) da obra. Espero que este artigo estimule você a descobrir um pouco mais sobre o globish:

Inglês, a língua referência para a comunicação internacional

Historicamente, sempre procuramos nos comunicar com nossos vizinhos. Atualmente, essa comunicação é ainda mais indispensável, por conta da nossa sociedade globalizada.

Sem dúvida, há muitas tentativas de criação de línguas comuns, desenvolvidas de maneira a facilitar o aprendizado. O esperanto é o exemplo mais conhecido. Trata-se de uma língua criada a partir de partes da comunicação internacional. É uma língua muito lógica, fácil de aprender (é preciso apenas 1 mês de estudo) e possui uma comunidade bem ativa.

Uma versão do MosaLingua para o aprendizado de esperanto está em fase de desenvolvimento. Ela vai ser publicada a um preço bem acessível para promover a difusão da língua. Porém, a data de lançamento ainda não foi definida. 

O fato é que o inglês se tornou a língua usada na comunicação internacional, em uma escala nunca alcançada por nenhuma outra língua. Há alguns anos, quem dominava o inglês tinha alguns vantagens sobre aqueles que não sabiam a língua. Hoje atingimos um outro patamar: aqueles que não sabem inglês são fortemente penalizados. Talvez isso seja injusto, porque tal fato proporciona certas vantagens aos anglófanos, e sabemos que o inglês está longe de ser a língua mais fácil de aprender. Os franceses, por exemplo, têm dificuldade de dominá-la – mas eu e meus demais compatriotas não estamos sozinho: chineses e japoneses, por exemplo, também sofrem para aprender a língua. A razão para isso é que o inglês é uma língua muito diferente das línguas usadas por boa parte da população mundial.

As vantagens que temos sobre os anglófonos nativos

À primeira vista, pode-se pensar que os anglófonos nativos têm uma grande vantagem sobre nós. A língua deles se tornou um idioma internacional, ou seja, eles não precisam aprendê-la nem realizar custosas traduções. Mas, na verdade, temos uma vantagem. Aqui está uma anedota que, tenho certeza, muitas pessoas que já trabalharam em uma multinacional já experienciaram:

Em uma reunião com pessoas que não possuem o inglês como língua materna, todos se compreendem por meio de um inglês básico, mas eficaz. Porém, quando anglófonos nativos entram na conversa, as interações diminuem, a compreensão é comprometida e as pessoas deixam de se exprimir, por medo de cometerem erros e serem julgadas.  Pior ainda, alguns nem ousam contradizer os falantes nativos de inglês ou solicitar que um nativo repita o que disse: isso tudo por conta de um sentimento de inferioridade linguística.  Esse é um grande problema para os anglófonos nativos…  
Falantes nativos de inglês são muito mais difíceis de serem compreendidos, porque eles têm um inglês muito mais rico que o dos não-nativos e não estão acostumados a falar com estrangeiros (reformulando frases, usando expressões mais simples, etc.). Isso faz com que haja, com frequência, um bloqueio na comunicação.
Felizmente, falantes nativos de inglês fazem parte de uma parcela minoritária da população (apenas 12% da população mundial). Além disso, o inglês atual, usado na internet e no comércio internacional, não tem nada a ver com o inglês de Shakespeare (ou mesmo com aquele que, sem sucesso, tentam nos ensinar na escola). O inglês se tornou uma língua utilitária, técnica, sem estilo rebuscado.  É uma língua que não se destina à cultura, à escrita de um romance literário. Ela tem como intuito apenas tornar a comunicação globalizada eficaz.

Jean-Paul Nerrière, então, propos a palavra “globish” (contração de “global” e “english”) para definir essa nova versão da língua inglesa.

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 Gostaria de acrescentar, com base na minha experiência, que há poucos anglófonos que falam uma segunda língua. A maioria diz que o mundo inteiro fala a sua língua, logo eles não acham necessário aprender um outro idioma.

No entanto, eles estão errados. Falar uma língua estrangeira oferece várias vantagens.  Além da conveniência, há também uma série de benefícios cognitivos (melhor desenvolvimento do cérebro, desaceleração do envelhecimento cognitivo, entre outros benefícios).

 

Inglês, uma língua difícil?

O autor diz que o inglês é uma língua muito difícil quanto comparada a  línguas artificiais, como o esperanto. O inglês tem um vocabulário muito rico (há mais de 600 mil palavras no Dicionário Oxford de inglês) e algumas peculiaridades. Por exemplo, o inglês utiliza palavras diferentes para diferenciar os animais vivos daqueles que são colocados em nosso prato (pig/pork, ox/beef, sheep/mutton etc.). Além disso, o autor diz que não há um único inglês, e sim cerca de 18 diferentes variações da língua, que se diferenciam em termos de pronúncia, gramática e até vocabulário.  O inglês não tem uma autoridade que regulamenta a evolução da língua (como, por exemplo, a Academia Brasileira de Letras no Brasil). Por conta disso, a língua inglesa evolui rapidamente, mas de maneira desorganizada.

Por outro lado, o inglês possui um sistema simples de conjugação, suas palavras não possuem gênero (por que, em português, dizemos “a casa” e “o sofá” se coisas não têm gênero?) e  há muitos materiais disponíveis para praticar a língua (filmes, livros, sites, etc.). Além disso, quando encontramos um método adequado a nossas necessidades, aprender inglês vira puro prazer! 

E as vantagens não param por aí: o inglês contemporâneo é simplificado a cada dia, graças à globalização e à internet. O inglês internacional se tornou, então, uma variação simples e de fácil compreensão da língua. Essa variação o autor chama de globish.

Mas o que é globish afinal?

Globish, apenas 1.500 palavras para uma comunicação eficaz

Globish é um inglês mais puro e concentrado. Um dos princípios mais importantes do globish é conter somente 1.500 palavras (cuidadosamente escolhidas), que permitem aos falantes se exprimir sem problemas.  Se utilizarmos mais palavras, corremos o risco de prejudicar a comunicação com grande parte da população mundial.

Atenção: o globish não é o único inglês simplificado. Há também o Simple English, Basic English, International English, etc.

Com apenas 1.500 palavras, é perfeitamente possível se comunicar sem problema. Às vezes é preciso elaborar uma frase um pouco mais longa para expressar todo o requinte de uma colocação, mas isso não importa. O que importa é ser compreendido.

Além disso, essas 1.500 palavras podem ser combinadas entre si para formar novas palavras (ex.: back-door, dream-team, etc.) ou podem ser declinadas em outras formas (ex.: to teach – teacher, nice – nicer – nicest, etc.). Essas combinações podem aumentar o vocabulário, fazendo ele passar para 3.500 palavras – isso sem contar com as inúmeras palavras em português que são similares a palavras em inglês (ex.: animal, hospital, capital, etc.).

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Nota: aprender e memorizar permanentemente essas 1.500 palavras é fácil. Através de métodos modernos de memorização e de aprendizagem assistida por computador, como o Sistema de Repetição Espaçada do MosaLingua,  a memorização dessas 1.500 palavras pode ser feita em poucos meses, se você estudar 10 minutos diariamente. MosaLingua para Aprender Inglês contém as 1.500 palavras do globish, além de mais de 2.000 flashcards extras compostos de palavras e frases essenciais. Também temos um aplicativo especialmente desenvolvido para quem usa a língua inglesa nos negócios:   MosaLingua para Negócios.
Nota 2: não aconselho ninguém a aprender apenas 1.500 palavras. O globish é uma parte da língua inglesa dedicada à comunicação internacional. Se você pretende viver num país anglófono ou ler romances em inglês, por exemplo, o globish não vai ser suficiente.

Por fim, gostaria de convidar você a visitar o site do globish (em inglês). Ele contém uma lista das famosas 1.500 palavras. Você também pode comprar outros livros do autor que já possuem versão em português.