O cérebro bilíngue é diferente dos demais? Um estudo recente, realizado com ferramentas como ressonâncias magnéticas e princípios de neurociência, ajudou os cientistas a demonstrar as principais mudanças que acontecem no cérebro quando aprendemos um idioma estrangeiro, e sua relação com o bilinguismo. Hoje, vamos revelar os segredos do cérebro bilíngue! 

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O que significa ser bilíngue?

Ser bilíngue é, basicamente, falar dois idiomas. “Basicamente” porque há quem considere bilíngue alguém quem tem pelo menos algum domínio de duas línguas. E há quem só considere bilíngue quem tem total domínio de dois idiomas.

Independente do grau de proficiência, no entanto, o fato de se aprender dois idiomas realmente provoca algumas mudanças em nosso cérebro. E é justamente sobre isso que queremos falar neste artigo.

O que acontece em um cérebro bilíngue?

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Um estudo conduzido por pesquisadores da área de psicologia da Universidade de Lund, na Suécia, reuniu um grupo de jovens da Academia de Intérpretes das Forças Armadas da Suécia. O objetivo foi  medir seus cérebros antes e depois que eles recebessem um treinamento intensivo em idiomas estrangeiros.  Treinamento que incluiu, entre outras, línguas como o Russo e o Árabe. Como resultado, após 13 meses de trabalho, eles passaram de não ter qualquer conhecimento em um idioma a falá-lo fluentemente. 

Como grupo de controle, os pesquisadores usaram um grupo de estudantes de medicina e ciências cognitivas. Esse grupo não estudou nenhum idioma, mas sim outros assuntos, também de forma intensa e pelos mesmos 13 meses. Os participantes dos dois grupos tiveram seus cérebros analisados por meio de ressonância magnética antes do início do curso intensivo e três meses depois do seu término. 

O que os testes mostraram

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Os resultados foram surpreendentes. A estrutura do grupo de controle permaneceu inalterada. Já entre os estudantes de idiomas, áreas específicas do cérebro apresentaram crescimento.  Essas áreas foram o hipocampo e a estrutura cerebral relacionada à aquisição de novos conhecimentos e de noção espacial, além de três regiões do córtex cerebral.

De acordo com Johan Martensson, da Universidade Lund, algumas áreas do cérebro se desenvolveram em porcentagens diferentes. Isso, de acordo com o nível de proficiência adquirido e a quantidade de esforço dos estudantes nas aulas. Ou seja: os estudantes que mostraram maior crescimento do hipocampo e de regiões do córtex cerebral, que estão relacionadas à aprendizagem de idiomas, foram aqueles que adquiriam maior domínio dos idiomas que estudaram. 

Já os estudantes que tiveram que se esforçar mais durante o processo de aprendizagem foram os que mostraram maior crescimento de áreas relacionadas a funções motoras e a regiões do córtex cerebral. Isso mostra que as áreas do cérebro que mais se alteram são aquelas relacionadas à habilidade de aprender um idioma com facilidade, e que os tipos de alterações que ocorrem variam de acordo com os resultados alcançados pelos estudantes.

Conheça outros benefícios de ser bilíngue

Para saber mais sobre esse assunto fascinante, você pode ler nosso artigo sobre os benefícios de ser bilíngue Na verdade, falamos sobre o bilinguismo em alguns artigos diferentes:

Conclusão

Para terminar este artigo, deixo pra você um vídeo superinteressante! Nele, você vai encontrar mais informações sobre como funciona um cérebro bilíngue. E, também, sobre como se dá a aprendizagem de um idioma estrangeiro (explicando os diferentes tipos de bilinguismo).

O vídeo está em inglês. Mas, se o seu objetivo é ser bilíngue, ele é um ótimo incentivo pra você investir no seu sonho, certo? 😉

 

Referências

-Mårtensson, J. et al., 2012. Growth of language-related brain areas after foreign language learning. NeuroImage, 63 (1).